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Conto Espírita “Salita, o Espírito de Pedra”

Enviado em 11 de setembro de 2018 | Publicado por Rádio Boa Nova

Conto Espírita “Salita, o Espírito de Pedra”O Conto Espírita abaixo é uma história fictícia com o relato de Salita, uma mulher que viveu na cidade italiana de Pompeia e desencarnou após a grande tragédia, a erupção do Vesúvio.

Estima-se que essa importante cidade do império romano tinha por volta de 15 mil habitantes e os pesquisadores datam a grande Erupção do Monte Vesúvio em 24 de agosto de 79 d.c., na qual destruiu as cidade de Pompeia e Herculano.

O trecho abaixo deste conto espírita,  narrado por Salita, remonta o momento de sua morte e descreve as sensações que sentia após o desencarne.

Ela mostra, neste conto espírita, as dores que sentiu em seu espírito durante o período conhecido como perturbação espiritual. Confira o conto espírita abaixo:

 

 

Os Espíritos de Pedra

 

Foi confuso abrir os olhos. Tudo era cinza, inclusive eu. Meus braços mal podiam se mover e eu ainda estava no chão, com a coluna arqueada. Não conseguia me mover, até que ouvi gritos. Pareciam ser de crianças e foi o que me fez levantar, ainda que ficasse parada sem ação.  

Neste momento pude ver os templos de pedra que se formaram com a tragédia. Porém, minha consciência mal podia discernir que tal dor derivada do Vesúvio. A cidade era morte, os campos verdes eram pedra e nossos sentimentos também se esvaíram.

Pompéia e seu luxo fora subvertido ao nada, mas era o nada mais belo que podia ver apesar de toda a tristeza que sentia, além dos gritos que eu não pudera enxergar de quem viera.

– Salita?

Dessa vez pude ouvir meu nome, além dos gritos de pavor vez ou outra. Alguém, sem êxito, parecia tentar me ajudar. Novamente gritos zumbiram em minha cabeça e neste momento pude receber a memória do ocorrido.

A fumaça tirava a minha respiração, a garganta começou a queimar. Foi a pior sensação que pude ter, mas apenas pensava no meu amado pai acometido por uma doença que o deixará na cama.

Eu me arrastei até o seu quarto e lá estava, com seus olhos fechados. Os deuses foram misericordiosos com ele, pensei. Sua alma fora levada antes de sentir tal dor.

Quando olhei pela janela percebi que nada mais poderia nos salvar. O céu estava nebuloso, porém não por uma tempestade e sim pela morte. O vazio era unânime assim como a certeza do fim.  

A fumaça seria o menor dos males. As pedras e fuligem pesada que caíam sob Pompéia demosntravam a irá de Vulcano. Nossas festas não o agradaram e sua punição torna uma realidade.

Aos poucos fui caindo e só pude me encolher ao lado da cama de meu pai para que as pedras que invadiam a casa pela janela não me atingissem. Fui na realidade ingênua afinal elas em pouquíssimo tempo destruíram o telhado, elas destruíram os telhados de casas e templos por toda a cidade.

Eu fui perdendo a consciência da vida, porém, não das sensações. Eu senti a dureza em mim e não tinha mais movimentos algum, apenas pedra. Eu podia também escutar o silêncio que consumia nossa esperança e transformava qualquer coisa em desespero. Era um desespero estático e torturante.

Não tinha sequer uma esperança e aquelas pedras atingiram meu coração, agora frígido e sem emoção. As veias foram endurecendo e esta talvez fora a pior sensação, pois eram geladas e contraídas, fazendo a dor física, mesmo que ilusória, ser ainda maior.

Eu perdi a noção de tempo, porque assim como tudo em Pompéia, ele estava estático e destruído. Eu não sei, mas julgo que fiquei ali parada por dias, talvez semanas.

Foram os gritos que me despertaram daquela dor fria e cíclica. As lembranças daquele dia foram as mais tristes e elas se repetiam de forma a perpetuar as sensações. Eu esqueci toda a vida, Pompéia para mim, durante aquele período, era morte.

Depois de caminhar, ainda com dificuldades, sob aquelas pedras pude sentir algo tocando minha mão. Pensei ser o vento, mas era um criança correndo. Ela me encarou de forma que seus olhos me chamaram mentalmente.

Meus pés ficaram novamente no chão e eu de forma intuitiva me arqueie. Era o medo e as lembranças. Eu estava presa naquela dor fria novamente. Não conseguia ouvir nada além do silêncio.

Esse fato se deu por uma lembrança que surgirá em mim. Eu era criança e corria sob os campos quando vi ao longe o corpo de minha mãe sendo levada à fogueira. Na época eu não compreendi o que era a morte, mas já podia chorar a sua ausência.

Mais um tanto de tempo estático se passou e novamente escutei um grito. O menino voltou e foi que pude perceber que seu grito vinha de suas brincadeiras e felicidade. Ele tocou o meu cabelo e por poucos instantes senti o calor.

Foi o suficiente para eu ter a força de me levantar. Ele correu sob as pedras de Pompéia, o que antes era uma cidade. Os meus movimentos, menos ágeis do que o garoto, o fizeram chegar até um ponto de luz antes de mim.

Pouco a pouco pude perceber a árvore. Era luminosa e verde. A criança desaparecera na paisagem, foi quando avistei um rapaz.

– Salita?

Era a mesma voz de dias atrás.

– Sou eu.

Eu tentei perguntar o seu nome, mas o jovem se antecipou:

– Meu nome é Julius. Você não deve se lembrar de mim, mas sempre estive presente.  

Eu consegui chegar ao ponto de luz. Meus pés tocaram a grama me tirando do frio da tragédia.

– Sente-se – Disse ele – Coloque está seda sob seu corpo.

Neste momento meu corpo estremeceu e o calor começou aos poucos invadir minhas sensações e sentimentos até chegar no coração. O grito foi inevitável e similar aos que escutava enquanto pedra, e diferente daquele garotinho.

Sua seda branca me cobria de ponta a ponto. A vida voltou depois de 72 dias como pedra.

– Dei-me sua mãos, Salita.

Julius pegou minha mão e de forma suave me ergueu. Foi então que não estava mais em Pompeia e sim num lindo campo florido. Ao longe vi uma das mulheres mais lindas que minha memória poderia ter. Era minha mãe.

Corremos para nos abraçar e aquele calor completava a graça divina. O frio se fora, mas Julius e minha mãe iriam me esclarecer tudo e me apresentar a algo que iria transformar o calor em realidade para minha vida.

Mas eu pude descobrir algo. A vida não tem um fim e nenhum frio pode ser eterno em nossas vidas. Acredite no calor divino e permita que ele toque o seu coração.

 

Conto Espírita:

 

Para saber mais sobre o assunto abordado no conto espírita, assista:

 

O que são desencarnes coletivos? | Interpretando a Vida

 

 

Escrito por: Ricardo Guelfi de Souza

Estudante de Jornalismo na Universidade Anhembi Morumbi. Estagiário de Marketing na TV Mundo Maior.

 

 

 

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