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Os Nossos Filhos São os Mesmos em Todas as Reencarnações?

Enviado em 5 de agosto de 2019 | Publicado por Rádio Boa Nova

Por: Aryanne Karine

Para o espiritismo, entender a reencarnação é apenas a ponta de um iceberg de dúvidas que começam a invadir o nosso cérebro físico em busca de respostas. E a melhor maneira de sanar as perguntas que, com o início dos estudos aparecem, é estudar ainda mais. Somos espíritos errantes, com um mundo imenso de conhecimento que ainda temos para adquirir e quanto mais aprendemos, maior o entendimento de que ainda temos muito para aprender.

Antes de iniciarmos a reflexão sobre o tema, precisamos compreender que a vida terrena é apenas uma das várias passagens que já tivemos e que nosso verdadeiro lar é o plano espiritual. Muitos espíritos se encontram a anos esperando uma oportunidade de encarnar para saudar suas pendências deixadas de outras vidas, colaborando na sua evolução.

Assim como na terra, no plano espiritual possuímos nosso grupo familiar que é muito maior que o que possuímos aqui. Esse grupo é composto por espíritos afins, onde permanecem unidos por seus laços afetivos, mesmo separados temporariamente pelos dois mundos. Assim como sentimos a dor da partida por nossos entes queridos na hora de seu desencarne, no plano espiritual também sentimos pela separação momentânea da encarnação de um familiar amado, onde mesmo estando em um plano diferente, sempre terão os laços de amor unindo-os.

Temos no Evangelho Segundo o Espiritismo ‘‘O Parentesco Corporal e Espiritual” (cap. 14), uma excelente explicação de Allan Kardec sobre o tema quando diz: “Os Espíritos que se encarnam numa mesma família, sobretudo como parentes próximos, são os mais frequentemente Espíritos simpáticos, ligados por relações anteriores, que se traduzem pela afeição durante a vida terrena. Mas pode ainda acontecer que esses Espíritos sejam completamente estranhos uns para os outros, separados por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem também por seu antagonismo na Terra, a fim de lhes servir de prova. Os verdadeiros laços de família não são, portanto, os da consanguinidade, mas os da simpatia e da comunhão de pensamentos, que unem os Espíritos, antes, durante e após a encarnação. Donde se segue que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o fossem pelo sangue. Podem, pois, atrair-se, procurar-se, tornarem-se amigos, enquanto dois irmãos consanguíneos podem repelir-se, como vemos todos os dias. Problema moral, que só o Espiritismo podia resolver, pela pluralidade das existências. Há, portanto, duas espécies de famílias: as famílias por laços espirituais e as famílias por laços corporais. As primeiras, duradouras, fortificam-se pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através das diversas migrações da alma. As segundas, frágeis como a própria matéria, extinguem-se com o tempo, e quase sempre se dissolvem moralmente desde a vida atual. ’’ ¹

Ainda em sequência, Kardec menciona palavras proferidas por Jesus que elucidam melhor o que Cristo disse sobre o conceito de família “(…) Foi o que Jesus quis fazer compreender, dizendo aos discípulos: “Eis minha mãe e meus irmãos”, ou seja, a minha família pelos laços espirituais, pois “quem quer que faça a vontade de meu Pai, que está nos céus, é meu irmão, minha irmã e minha mãe”²

Com isso, podemos compreender então, que o real motivo de sentirmos muitas vezes afinidade com pessoas fora do nosso convívio familiar, implica em vínculos já estabelecidos, oriundos de outras encarnações, podendo, na maioria das vezes, os seres mais próximos a nós, que tenhamos tamanha afeição, carregando esses laços durante toda nossa encarnação, ser fruto de uma relação familiar no plano espiritual.

Tendo esclarecido o conceito familiar nos dois planos, podemos nos aprofundar mais no tema deste artigo, para esclarecer que nossos filhos não são os mesmos em todas as encarnações. Sabemos do grande e imensurável amor que uma mãe e um pai tem para com os seus, porém, nosso ciclo de evolução não estaria completo se estivéssemos sempre na mesma posição, neste caso, sempre sendo a genitora ou genitor e guia dos passos de nossos filhos. A possibilidade de expiação, é o resultado de troca de papéis com nosso semelhante, onde hoje estamos na posição de mulher, em outra encarnação podemos vir como homem, e vice-versa.

Além desta troca de experiência em sexos opostos, para conseguir desenvolver as virtudes necessárias para nossa evolução moral, é auxilio em nosso progresso, encarnar em papéis diferentes entre nosso grupo familiar e aprender a se colocar no lugar do outro, desenvolvendo assim, o que chamamos de empatia, e é responsável pela compaixão de se pôr no lugar do próximo e conseguir entende-los, pois somente um espírito que passou por inúmeras experiências consegue desenvolver de toda e completa forma o verdadeiro amor que nos foi deixado de herança por Cristo quando aqui esteve entre nós.

Ainda no plano espiritual, quando planejamos o reencarne aqui na terra, escolhendo nossa família, dentre os motivos estabelecidos para essa escolha, em muitas vezes está, ou a afinidade entre nossos pais e nós, ou o acerto de dívidas vindo de outras vidas. Isso porque, o papel do pai e da mãe para com seu filho é o de amor, e, quando possuímos uma enorme pendência com alguém, já ter esse grande amor como referência pode ajudar no progresso das duas almas envolvidas.

Esse também é o motivo pelo qual ouvimos muitas histórias de mães ou pais repudiarem um filho e o negar, por ainda carregar consigo em seu inconsciente as marcas de dores causadas por situações anteriores da qual não possuímos conhecimento. E justamente por não o possuir, é que temos que compreender o fato de essa encarnação ser uma página em branco e nos esforçarmos o máximo possível para desempenhar o papel confiado a nós, de pais para com nossos filhos, bem como nosso papel de filhos, respeitando a oportunidade que nossos pais nos proporcionaram para voltar ao orbe físico e caminhar vislumbrando o progresso.

Muitas vezes quando passamos grandes atritos dentro de nossos lares, com nossos filhos, ou com nossos pais, onde não conseguimos compreender de onde surge tamanho sentimento negativo vindo de alguém por quem só deveríamos ter amor, precisamos primeiramente silenciar, e com muito autoconhecimento, obtido através do estudo do evangelho e da natureza humana, tentar compreender se tal atitude é algo que estamos colhendo do plantio que fizemos nessa vida, ou se são resquícios de vidas anteriores que ainda afligem corações feridos.

Independentemente da situação, precisamos buscar no Evangelho segundo o Espiritismo, a base para sermos seres humanos mais compassíveis com as dificuldades evolutivas alheias, e principalmente, ir em busca do nosso aperfeiçoamento moral e intelectual que irá ajudar no desenvolvimento dos laços familiares tanto terrenos quanto no plano espiritual.

Como bem disse Jesus Cristo: “E conheceis a verdade, e a verdade vos libertará” – João 8:32

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Referências:

1 – KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. Catanduva: Boa Nova Editora, 2004. Capítulo 14, item 8, p. 187.

2 – KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. Catanduva: Boa Nova Editora, 2004. Capítulo 14, item 8, p. 187.

3 – A BÍBLIA, (João 8:32)

 

 

Fonte: Letra Espírita 

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