Evocação dos espíritos – Livro dos Médiuns

evocação dos espíritosQuantas vezes não ouvimos falar da brincadeira do copo, aquela em que pessoas se reúnem em volta de uma mesa com um copo para evocar espíritos? Ou então, na brincadeira do compasso que tem o mesmo objetivo?

E ainda, atualmente, filmes que possuem esta temática (evocação dos espíritos) estão ganhando cada vez mais o cenário mundial. Com os avanços tecnológicos, os longas passaram a ficar mais reais, gerando assim, uma maior emoção nos telespectadores.

O que a doutrina espírita tem a nos dizer sobre a evocação dos espíritos?

A palavra “evocar”, que vem do latim “evocare”, significa chamar alguém, de algum lugar. Segundo, dicionários da língua portuguesa, isto está ligado chamado de seres espirituais,

Allan Kardec, na obra O Livro dos Médiuns, fala a respeito da comunicação dos espíritos, que pode ser espontânea ou vir ao nosso chamado.

“Espíritos podem se comunicar espontaneamente ou vir a nosso chamado, quer dizer, sob evocação”.

E completou:

“(…) O apelo direto feito a um Espírito determinado é um laço entre ele e nós. Chamamos por nosso desejo e assim opomos uma espécie de barreira aos intrusos. Sem um apelo direto, um Espírito não teria motivo de vir a nós, se não for o nosso Espírito familiar.”

Ou seja, a partir do momento em que desejamos nos comunicar com um espírito determinado é necessário evocá-lo, já que as chamadas comunicações espontâneas não são inconvenientes, além disso, devemos esperar aqueles que desejam se manifestar.

“As comunicações espontâneas não têm nenhum inconveniente quando controlamos os Espíritos e temos a certeza de não deixar que os maus venham a dominar.

Então é quase sempre conveniente aguardar a boa vontade dos que desejam manifestar-se. Pois o pensamento deles não sofre, dessa maneira, nenhum constrangimento e podemos obter comunicações admiráveis. Enquanto o Espírito evocado pode não estar disposto a falar ou não ser capaz de o fazer no sentido que desejamos. Aliás, o exame escrupuloso que aconselhamos é uma garantia contra as más comunicações”. (Livro dos Médiuns)

Evocação dos espíritos

A doutrina nos ensina também que pode-se evocar todos os Espíritos de qualquer grau de escola a que pertença. Ou seja, os bons; os maus. Aqueles que desencarnam recentemente ou até mesmo aquele que desencarnaram há mais tempo.

Porém, como foi dito acima, se desejamos nos comunicar, devemos evocar determinado espírito. Como deve ser feita a evocação ?Allan Kardec, diz o seguinte:

“Assim que se deseja comunicar com espírito determinado, é necessário evocá-lo. Se pode vir, obtém-se por resposta: Sim, estou aqui; ou ainda: Que querem de mim? Algumas vezes, entra diretamente na matéria respondendo por antecipação às perguntas que se lhe propunha dirigir.

Quando se evoca um Espírito pela primeira vez é conveniente designá-lo com alguma precisão. Deve-se evitar a perguntas formuladas de maneira dura e imperativa, que podem afastá-lo. As perguntas devem ser afetuosas ou respeitosas, conforme o Espírito, e em todos os casos revelar a benevolência do evocador.

Qual deve ser o papel do médium diante da evocação?

As evocações oferecem, frequentemente, mais dificuldades aos médiuns que os ditados espontâneos, sobretudo quando se trata de obter respostas precisas e perguntas circunstanciadas. Para tanto são necessários médiuns especiais, ao mesmo tempo flexíveis e positivos, e já vimos que eles são muito raros. Porque, como já dissemos, as relações fluídicas nem sempre se estabelecem instantaneamente com o primeiro Espírito que se apresenta. Convém, que os médiuns não se entreguem a evocações para perguntas detalhadas sem estarem seguros do desenvolvimento de suas faculdades e da natureza dos Espíritos. Pois com os que são mal assistidos as evocações não podem ter nenhum caráter de autenticidade.

Para finalizar, Allan Kardec apresenta “dicas” de como o médium deve agir na evocação dos espíritos. Confira:

Ele não deve aceder a esse desejo, senão com reserva no tocante às pessoas, sobre a sinceridade das quais não estejam completamente seguros de se pôr em guarda contra as armadilhas que pessoas malfazejas possam lhe preparar;

Não se prestarem, sob nenhum pretexto, a essas evocações, se perceberem de curiosidade e de interesse e não uma intenção séria de parte do evocador, de se recusarem a servir para qualquer questão ociosa ou que não esteja no âmbito das que racionalmente se podem propor aos Espíritos. As perguntas devem ser feitas com clareza, nitidez e sem segundas intenções para se obterem respostas positivas.

Não fazer senão com muita prudência as evocações na ausência de pessoas que as pedem. É preferível não fazê-las.

(…) O médium, em uma palavra, deve evitar tudo o que poderia transformá-lo em agente de consulta, o que, aos olhos de muita gente, é sinônimo de leitor de sorte”.

 

Por Juliana Chagas 

Jornalista e produtora da Rádio Boa Nova

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