Mágoas passadas – Antônio Carlos Tarquínio

Existem vários tipos de apego. 

Um dos mais faltos de razoabilidade e mínimo bom-senso é o vício de rememorar mágoas e aborrecimentos passados que atualmente não importam mais.

Tem gente que basta estar em companhia de alguém para, por puro apego ao passado, ativar as recordações dos piores momentos da vida. Já por falta de assunto, já por pensar, talvez, estar causando algum bem para si mesma. 

Então, perguntamos: como semelhante procedimento poderia ajudar ao queixoso? Ou somar algum benefício ao que ouve? Isso me faz lembrar um pensamento que diz assim: quem goste de pessimismo, e se queixe de solidão, observe se alguém estima repousar no espinheiro.

O dito sobre a solidão faz sentido. Aquele que vive se queixando da vida acaba sozinho. É esse o “benefício” que consegue para si próprio se lamuriando.

Na verdade é preciso entender que os percalços passados foram meios para aprendizados importantes em nossa trajetória ascensional de crescimento espiritual – haja vista – a força que encerram para mudar nossa visão e sentimento do mundo.

Relacionar desapontamentos e mágoas para amontoá-los no caminho, de modo a recolocá-los, a cada vez, repetidamente, à nossa frente, perpetuando as angústias e tormentos que poderiam facilmente não fazer mais parte de nossos roteiros, no mínimo não constitui estratégia muito inteligente.

Aqui a lição é clara e inconfundível:

Ante os problemas superados praticar de forma ampla e irrestrita o esquecimento. 

Se  Trazer à memória certos eventos do passado nada acrescenta às nossas vidas, para que lembrar? 

Quem aprende a praticar a arte do esquecimento torna-se capaz de liberar as energias criadoras e benéficas que jazem no transfundo dalma para a transposição, às vezes até fácil, das barreiras naturais da estrada. 

Jamais esqueçamos que a vida não tem por fim nos maltratar, antes ensinar.

É por isso que André Luiz afirmou certa vez:

Na dor, aprende a lição.

 

Tarquínio

 

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