Os homens chamados de gênios – Isadino dos Santos

Toda vez que olhamos para o alto e avistamos numerosos astros gravitando no universo, por pura vaidade, ou até por orgulho, duvidamos que em algum deles possa existir vida como no nosso planeta. Como poderia haver vida no Sol, com aquele calor abrasador, cuja temperatura chega a atingir a marca de 6.000 graus centígrados, na lua, sem água, assim como em Marte,  desprovido do ar que respiramos? Pura ignorância, pois, se acreditarmos que somente no nosso planeta pode haver vida, estaremos pondo em dúvida a justiça do Criador de todas as coisas, já que não seria justo Deus criar tantos astros e, somente um deles ter o privilégio de abrigar seres vivos.

A Providência Divina, na sua sabedoria, ao criar o ser vivo determinou o ambiente que seria propício para sua sobrevivência. Os peixes, por exemplo, foram criados para viverem sob as águas e por isso, quando são retirados do seu habitat natural certamente em alguns minutos morre. O mesmo acontecendo com certos tipos de animais, assim como o homem que, se colocado submerso, igualmente em alguns minutos perecerá, pois foi criado para viver em um ambiente próprio, que lhe permitisse evoluir e, consequentemente, desenvolver a sua inteligência. O sol, portanto, não obstante a impossibilidade de abrigar seres corpóreos, é o lugar de encontro dos Espíritos Superiores que dele irradiam seus pensamentos para outros mundos.

E, por falar em inteligência, constantemente, quando vemos alguém resolver  um problema de difícil solução, dizemos que ele é um gênio. Mas, isso que ele fez é motivo para assim ser considerado? Teria ele nascido mais inteligente do que as outras pessoas? A resposta, obviamente, é não, porque, nesse caso, também, seria injusto que algum ser humano nascesse com um maior grau de inteligência do que os demais. A Doutrina Espírita nos ensina que Deus criou todos os espíritos no mesmo nível, ou seja, ignorante e rudes, mas dotados do livre arbítrio para evoluírem.

Essa é uma questão que, de maneira resumida, tentaremos explicar, mostrando, de modo sucinto, o que é uma pessoa considerada gênio. Não aquele da lâmpada mágica de Aladim, nem daquela mocinha loira do filme americano, pois, trata-se de uma mera ficção. Também, não falamos de alguns atletas que superam seus próprios limites, pois tais aptidões podem ser
adquiridas por meio de um rigoroso treinamento e de uma prática constante.

Estamos nos referindo àquelas pessoas que, sem terem estudado, ou mesmo pesquisado sobre um determinado assunto, quando se deparam com algum problema aparentemente insolúvel, em pouco tempo, e sem maiores dificuldades, encontram a solução como se já o conhecesse profundamente.

Em todas as épocas e em todas as áreas verificamos o aparecimento de pessoas possuidoras desse tipo de inteligência, a qual é utilizada para contribuir e auxiliar o progresso do ser humano, tanto no aspecto material, como no espiritual.

Por volta de 1321, surgiu em Bagdá, um menino chamado Beremiz Samir, nascido na Pérsia e que, mais tarde mudou-se para o Egito, onde tornou-se pastor de ovelhas. Sem jamais ter estudado matemática, aos seis anos de idade ele já demonstrava uma grande habilidade em lidar com os números, motivo pelo qual, quando adulto, passou a ser conhecido como “O homem que
calculava”, sendo-lhe atribuída a descoberta da progressão aritmética, hoje tão utilizada nos cálculos matemáticos.

Em 1.746, aqui mesmo em São Paulo, ocorreu um outro fato que merece ser registrado. Durante as obras da construção da catedral da Sé, os trabalhos tiveram que ser paralisados, pois, nenhum profissional construtor queria correr o risco de construir a torre da igreja, por considerarem a estrutura e os aspectos térmicos, acima dos recursos de engenharia disponíveis na cidade.

Foi nessa ocasião que surgiu a figura de um homem negro, escravo conhecido apenas por “Tebas”, que garantiu erguer a torre sem nenhum problema, mas, desde que lhe fosse concedida a alforria. Não havendo outra alternativa, depois que o escravo mostrou a todos as técnicas que usaria, o acordo foi aceito e, em 1755, a catedral estava totalmente construída e com sua majestosa torre.

Desse autêntico gênio que aqui viveu, ninguém sabe nada. De onde veio, como veio, onde aprendeu o que sabia, como viveu e nem sequer o seu primeiro nome ninguém jamais soube.

No início do século XX, por volta de 1900, um professor da Universidade de Berlim, na Alemanha, desafiou um dos seus alunos com a seguinte pergunta:

– Deus criou tudo que existe?

– Sim, ele criou tudo, respondeu.

– Se Deus criou tudo – disse o professor – Então Deus fez o mal? Pois o mal existe, e partindo do preceito de que nossas obras são o reflexo de nós mesmos, então Deus é mau?

O garoto ficou parado, sem saber o que responder, quando um outro aluno se levantou e, para tirar o colega daquela situação embaraçosa, perguntou:

– Professor, eu posso fazer uma pergunta?

– Claro que sim.

– O frio existe?

-Lógico que existe – respondeu -, por acaso você nunca sentiu frio?

O jovem respondeu:

– O frio de fato não existe. Segundo as leis físicas, o que consideramos frio, na realidade é a ausência de calor. Todo corpo é suscetível de estudo quando possui ou transmite energia, e o calor é o que faz com que esse corpo tenha ou transmita energia. O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, onde os corpos ficam inertes e incapazes de reagir, mas o frio, por si só, não existe.

Nós criamos essa definição simplesmente para descrever como nos sentimos se não temos calor.

– Outra pergunta, professor. Existe escuridão?

Depois de apagar a luz da sala por alguns minutos, e depois reacendê-la, o mestre respondeu:

– Viu como a escuridão existe?

– Novamente cometeu um erro, senhor. A escuridão também não existe. Ela é, na realidade, a ausência de luz. A luz pode se estudar, a escuridão não. Até existe o prisma de “Nichols” para decompor a luz branca nas várias cores de que é composta. Para se saber quão escuro está um determinado espaço, temos que ter como base a quantidade de luz presente nele. A escuridão é
uma definição que o homem desenvolveu para descrever o que acontece quando não há luz presente.

– Uma última pergunta, professor. O mal existe?

– Claro que sim, pois, não vemos estupros, crimes, violência no mundo todo?

Essas coisas são do mal.

– O mal não existe professor, pelo menos não existe por si mesmo. O mal é simplesmente a ausência do bem. O mal é uma definição que o homem criou para descrever a ausência de Deus. O mal é o resultado da humanidade não ter Deus em seus corações. É como acontece com o frio quando não há calor, ou como a escuridão quando não há luz.

O jovem aluno foi calorosamente aplaudido por todos, inclusive pelo diretor da Universidade que a tudo assistia, e que, ao terminar a explanação, dele se aproximou e, parabenizando-o, perguntou qual era o seu nome, tendo ele respondido.

– Albert Einstein.

Como poderia aquele menino, derrogando toda a lei de aprendizado, manifestar em tenra idade um conhecimento que somente poderia adquirir depois de passar por todas as etapas escolares? Dirão os materialistas que o acaso lhe concedeu uma quantidade maior e uma melhor qualidade de matéria cerebral, o que não é verdade, visto que isso em nada interfere na inteligência ou na capacidade mental. Alguns espiritualistas, por sua vez, afirmarão que Deus lhe deu uma alma mais favorecida do que a dos outros. Outra hipótese sem nenhuma lógica, pois taxaria Deus de parcial. Teria ele, bem como Beremiz Samir, “o homem que calculava”, e o escravo Tebas, trazido consigo uma sabedoria adquirida em uma encarnação anterior aqui mesmo em nosso planeta? Isso também não seria viável, pois, tendo vivido em épocas passadas, seria impossível terem conhecimento de alguma coisa que, naquela atualidade, ainda era desconhecida.

No capítulo XI do livro “A Gênese”, Allan Kardec esclarece o seguinte: Em todas as etapas evolutivas do nosso planeta, Emissários são-nos enviados com a finalidade de ajudar o ser humano no seu esforço evolutivo e, dessa forma, nunca nos tem faltado ajuda. As grandes Comunidades Espirituais da esfera superior, analisando a situação da Terra, deliberaram a imigração de populações de outros planetas mais adiantados para que, aqui chegando, através dela, o homem recebesse um estímulo e uma ajuda direta na sua difícil luta pela conquista da sua evolução material e espiritual.

Próximo ao nosso planeta existe uma Constelação, a qual os astrônomos denominaram Cocheiro, e que é formada de estrelas de várias grandezas.

Dentre essas estrelas há uma, conhecida desde a mais remota época, denominada Capela, localizada há cerca de 45 anos-luz da Terra, inúmeras vezes maior do que o sol e habitada por uma raça de seres bastante evoluída.

Existiam, também, naquele mundo, milhões de espíritos a caminho da evolução geral, porém, uma grande parcela deles, com ua rebeldia, dificultava a consolidação das penosas conquistas daquele povo cheio de virtudes, tornando-se assim incompatíveis com os altos padrões morais já atingidos pela maioria dos habitantes daquele orbe. Em virtude da sua afinidade com a Terra,
foi, essa estrela, a escolhida para imigração de milhares daqueles rebelados para o nosso planeta, os quais aqui encarnando ficaram conhecidos como “os capelinos”.

Ensina-nos, também, a Doutrina Espírita, que, um Espírito, quando tem uma missão a cumprir para auxiliar o progresso, pode reencarnar em um mundo inferior àquele em que vive. Porém, ao mudar de um para outro, ele conserva a os conhecimentos já adquiridos, pois, aquilo que aprendeu nunca se perde, o que pode ocorrer é o seu esquecimento momentâneo, mas, a intuição que lhe fica irá ajudar no cumprimento da sua tarefa. Tal mudança pode se dar, também, como expiação, no entanto, não significa que aquele Espírito tenha regredido. Levando-se em conta que, mesmo migrando de um planeta mais evoluído para outro inferior, o Espírito, como já foi observado,  conserva os conhecimentos já adquiridos, é de se concluir que essas pessoas
superdotadas, consideradas gênios, são espíritos que viveram em outros planetas mais adiantados do que o nosso e que para cá vieram com a finalidade de, por meio desses conhecimentos, ajudar em nossa evolução.

Desse modo, analisando o que foi dito, duas certezas podemos afirmar sem que haja qualquer dúvida: Deus, ao criar os mundos, não concedeu a apenas um deles, no caso a Terra, o privilégio de ser habitado por seres vivos, mas também, embora diferente em vários aspectos, extensivo a todos os demais.

Também não criou alguns Espíritos mais inteligentes dos que outros, todos foram feitos em idênticas condições, para viverem no seu habitar natural e evoluírem conforme o livre arbítrio de cada um.

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