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“Estude a si mesmo, observando que o autoconhecimento traz humildade e sem humildade é impossível ser feliz.” André Luiz

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Os vícios morais

Enviado em 4 de junho de 2019 | Escrito por Isadino dos Santos | Publicado por Rádio Boa Nova

Entende-se como vícios morais o exagero e o descontrole de alguns indivíduos na sua maneira constante de pensar, agir e se comportar, colocando-se um contra o outro, ou contra os outros na disputa dos valores materiais morais.

Como exemplo podemos citar a vaidade, o ódio, a inveja, o orgulho, o ciúme, a ganância, o preconceito, a vingança, e principalmente o egoísmo, que é o mais perigoso de todos, e de onde derivam os demais.

A presença desses vícios na vida do ser humano não é nenhuma novidade nem tampouco característica de um povo, de uma raça ou de uma nação, pois, revendo o decorrer da história da humanidade verificamos que em todas as épocas e em todos os lugares eles se fizeram presentes, e que a maioria dos conflitos, e das injustiças ocorridas nasceram deles. Só para se ter uma ideia, vamos relembrar alguns exemplos dos resultados catastróficos por eles provocados.

No antigo Egito, muitos séculos antes da era cristã, o faraó Ramsés II, temendo que o povo hebreu, que havia se estabelecido naquela Nação, continuasse se multiplicando, cujo aumento populacional supostamente representava um grande perigo para o seu país, impulsionado pelo orgulho exagerado, teria determinado a morte, por afogamento no rio Nilo, de todas as crianças do sexo masculino recém-nascidas da raça hebreia.

Séculos depois, outra chacina se verificou na Judéia quando Jesus veio ao mundo. O rei Herodes, sabendo do nascimento daquele que o povo dizia que seria o rei dos judeus, ficou bastante irritado. Sentindo o seu trono ameaçado, e com medo de perder os seus poderes, movido pelo egoísmo descontrolado resolveu tomar uma providência, mas, como não sabia quem era a criança mandou seus soldados capturar e matar todos os meninos com menos de dois anos que encontrassem. Dezenas deles foram barbaramente trucidadas.

Foi, também, em razão do preconceito religioso, que Saulo de Tarso, fervoroso defensor da lei mosaica, condenou à morte por apedrejamento o jovem Jeziel, irmão de sua noiva Abigail, o qual, por haver se convertido ao cristianismo e batizado pelo apóstolo Pedro com o nome de Estevão, acabou sendo covardemente assassinado a pedradas.

Mais adiante, na França, em 1431, a jovem camponesa Joana D’Arc, de apenas 19 anos de idade, depois de libertar a cidade francesa de Orleans do jugo inglês, e defender o seu país na guerra anglo-saxônica, passou a ser adorada e idolatrada por toda a nação, inclusive pelo próprio rei, fato que despertou a inveja de alguns representantes do clero. O Bispo de Beavuais, sentindo-se ultrajado pelo fato de uma mulher pobre e analfabeta, e que se recusava a se submeter aos dogmas da Igreja, ser mais amada do que ele, dominado pelo ciúme doentio, acusou-a de heresia, cujo julgamento resultou em sua condenação pela Inquisição a morrer queimada viva em uma fogueira.

Mais recentemente, em 1988, aqui mesmo no Brasil, no estado do Acre, por motivo de vingança, o ambientalista Chico Mendes, por defender a preservação da floresta da Bacia Amazônica, foi morto a tiros de escopeta.

Vê-se, pois, que os vícios morais sempre existiram, e continuam existindo trazendo consequências drásticas, e mesmo na época atual podemos encontrá-los, seja no trabalho, nas escolas, nas ruas, em nossa casa em meio à nossa família, nas igrejas, enfim, em todos os seguimentos da sociedade eles podem se fazer presentes assim como até mesmo em Casas Espíritas entre alguns médiuns que se julgam superiores aos demais.

É sabido que a mediunidade é inerente ao ser humano, desse modo, embora em diferentes graus e tipos, todos a possuem, não constituindo, portanto, um privilégio exclusivo de ninguém. Não obstante, existem algumas pessoas imprevidentes, e que se dizem espíritas, mas que, por desconhecerem o valor da humildade, acham que a sua faculdade mediúnica tem maior valor do que a das outras, afirmando só receber espíritos daqueles que foram famosos e importantes. São aquelas a quem Allan Kardec chamou de médiuns presunçosos ou fascinados, as quais, supondo-se capazes de realizar grandes feitos querem que a atenção de todos seja voltada única e exclusivamente para si. Puro egoísmo, pois, movidas pela pretensão vaidosa, esquecem que são apenas canais mediúnicos, e que, como tal, estão sujeitas a receber inspiração de espíritos malfazejos, e nesse caso o uso dessa faculdade é mais nocivo do que útil. Existem espíritos zombeteiros e brincalhões que se fazem passar por outros para se divertir ou até mesmo para praticar o mal. Portanto, aquelas que assim pensam, devem tomar muito cuidado com a mistificação, já que os espíritos de pessoas que foram famosas quando se manifestam, para não aguçar a vaidade do médium fazem questão de permanecer no anonimato, só podendo ser identificados por meio de uma análise profunda e de uma dedução lógica.

Em certa ocasião, durante os trabalhos em uma determinada Casa Espírita, uma entidade se manifestou através de um medianeiro, trazendo uma belíssima mensagem de amor e fraternidade. Ao final, o dirigente, depois de dialogar com aquele espírito, perguntou quem ele fora na encarnação passada, obtendo a seguinte resposta: “Isso não tem a menor importância. Vocês vivem dizendo que fui um herói, um mártir, mas estão enganados. Eu fui, e continuo sendo um fraterno e feliz trabalhador das obras do Cristo; digo fraterno porque a liberdade que tanto desejei, e pela qual tanto lutei, não era apenas para mim, mas, também para todos os meus irmãos; e feliz porque o cadafalso ao qual me fizeram subir já não é tão alto; o nó da corda que me comprimia o pescoço já não mais me sufoca; assim como os facões, com os quais esquartejaram o meu corpo físico, já não me parecem tão afiados, Em seguida se despediu carinhosamente e se retirou sem se identificar. Analisando aquelas suas palavras dentro da lógica e da razão, pode-se claramente deduzir de quem se tratava.

Conclui-se, portanto que, o que caracteriza a boa mediunidade não é a importância ou a fama dos espíritos manifestantes, mas sim, a humildade do médium, lembrando que o dom mediúnico é uma concessão divina que, na maioria das vezes, é dado ao espírito seriamente endividado que recebeu a graça da reencarnação para ajudá-lo a resgatar os débitos assumidos em existências anteriores e auxiliar no seu próprio melhoramento, e não para servir a sua vaidade. Como se vê, não se trata de um privilégio, mas, o cumprimento da lei de causa e efeito onde a semeadura é livre, mas, a colheita obrigatória, portanto, um resgate a ser cumprido por um espírito devedor, por isso, deve ser usada com humildade, e sempre visando a prática do bem, para que o débito seja saldado em breve tempo. Porém, se continuar tratando mal a sua mediunidade e persistir no cultivo vicioso do egoísmo, melhor dizendo, se descuidar dessa realidade, estará em contradição com a Doutrinária Espírita, correndo o risco de provocar consequências desagradáveis, e comprometer a sua credibilidade diante da opinião de todos, e assim, ao invés de saldar as suas dívidas, acumulará mais débitos que terão que ser pagos nessa existência ou em outras encarnações futuras, daí os dizeres do Mestre Jesus:

Vá e não peques mais para que algo muito pior não te aconteça,

Ademais, não é somente entre médiuns que podemos encontrar o egoísmo e a vaidade. Embora não com muita frequência, isso poderá ocorrer, também, com alguns palestrantes desprevenidos.

Alguns expositores espíritas quando são convidados para uma palestra, numa verdadeira demonstração de vaidade, a primeira coisa que querem saber é a quantidade de pessoas para as quais irão falar. Se for para um grande número

o convite é logo aceito, porém, se não for suficiente para satisfazer a sua vaidade, uma desculpa é apresentada para, em seguida, educadamente recusa-lo. Muito embora seja importante a presença de encarnados, deve se levar em conta, também, o número de desencarnados, na maioria das vezes superior, que comparecem para assistir. O espírito Emmanuel nos esclarece que existem espíritos tão apegados à matéria, que quando desencarnam, julgando viver ainda na vida terrestre, não conseguem ouvir as palavras dos membros das equipes socorristas que os assistem na espiritualidade, motivo pelo qual são levados para assistirem as palestras públicas nas Casas Espíritas onde encontram mais facilidade para ouvirem a mensagem dos encarnados. É preciso considerar, também, a presença do Mestre Jesus, pois ele disse que onde houvesse duas ou mais pessoas (e não uma multidão) em seu nome ele ali também estaria.

Sendo assim, para evitar o emprego desse vício moral, somente três perguntas me perecem plausíveis para nortear o palestrante quando receber o convite: a data a ser realizada, para verificar se é viável diante dos compromissos anteriormente assumidos; o assunto a ser tratado, para um preparo anterior; e quanto tempo terá disponível para expor o seu tema, a fim de evitar que a palestra se torne muito curta ou prolongada em demasia. Perguntar sobre a quantidade de pessoas não deixa de ser uma cabal demonstração de orgulho e vaidade.

 

ISADINO J. DOS SANTOS

Apresentador e comentarista do Programa “Espiritismo e Segurança Pública” pela

Rádio Boa Nova de Guarulhos – SP –(RBN).

Escritor, palestrante, e articulista espírita.

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