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Os vícios, segundo o Espiritismo

Enviado em 2 de novembro de 2016 | No programa: Espiritismo e Segurança Pública | Escrito por Isadino dos Santos | Publicado por Juliana Chagas

Mão segurando cigarroEscrever sobre vícios não é uma tarefa das mais agradáveis, nem que nos dá prazer, mas, como se trata de um mal, e todo mal carece ser evitado, precisamos combatê-lo sem tréguas usando para isso todos os meios disponíveis, não para acabar de vez com eles, mesmo porque isso seria humanamente impossível diante do estado evolutivo em que ainda nos encontramos, mas, pelo menos para tentar evitar que continue crescendo, desestruturando lares, provocando doenças e eliminando pessoas principalmente crianças e adolescentes.

Uma das maneiras preventivas, e muito eficiente para evitar os vícios, é a leitura, o estudo, o entendimento, o respeito e a obediência àquilo que a Doutrina Espírita explica a respeito das Leis Divinas. Por exemplo, na questão 702, de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta ao Espírito da Verdade se o instinto de conservação é uma lei natural, e Ele responde que sim, pois é dado a todos os seres vivos para que mantenha o corpo em bom estado. Sendo assim, como se trata de uma Lei de Deus, tem que ser respeitada e rigorosamente obedecida, ou seja, o corpo físico deve – ou pelo menos deveria – receber os melhores cuidados, mas, infelizmente isso nem sempre acontece.

Algumas pessoas, numa cabal demonstração de desrespeito aos preceitos divinos, costumam falar assim: “O corpo é meu e faço dele o que quiser”.

Quando ouvimos alguém dizer isso ficamos muito aborrecidos, principalmente quando se trata de um filho, de um irmão, de um parente qualquer, ou até mesmo de um amigo. No entanto, analisando e refletindo sobre esses dizeres, a conclusão que se tem é que, quando ele assim se expressa, não está totalmente errado, isso porque, todo ser humano, sem nenhuma exceção, é um espírito encarnado a caminho do progresso e nessa jornada evolutiva tem dois caminhos a seguir: o certo e o errado; se seguir pelo certo, que é o do bem e recomendado pelas Leis de Deus, terá uma vida saudável, feliz e tranquila; porém, se optar pelo errado, que é o do mal, e consequentemente rechaçado por essas leis, ninguém poderá impedi-lo, porque é dotado de uma faculdade chamada livre arbítrio que lhe faculta escolher o que parecer melhor.

Entretanto, muito embora esteja fazendo uso da sua liberdade de escolha, não pode esquecer que ao decidir pelo caminho errado estará infringindo a lei e, consequentemente, praticando o mal, por isso terá que arcar com as consequências da sua decisão, já que todo mal, mais cedo ou mais tarde terá que ser reparado. Não diz aquela máxima cristã que a semeadura é livre, mas, a colheita obrigatória? É a Lei de Causa e Efeito, onde a cada um será dado conforme a sua obra.

E, por falar em leis, cumpre lembrar que nós vivemos aqui na Terra regidos por duas espécies delas: as leis humanas e as leis naturais. Apesar de diferentes em alguns aspectos – já que a primeira, por ser baseada nos costumes e na época, é mutável e passageira, e a segunda, pelo seu caráter divino, eterna e imutável – entre elas existe uma em comum e que tem o mesmo objetivo, que é a lei de conservação. Desse modo, temos a lei natural de conservação e também a lei divina de conservação.

Por exemplo, quando alugamos uma casa, o proprietário do imóvel elabora um contrato determinando o prazo que podemos nela permanecer, e fazendo várias outras exigências, e uma delas é que conservemos o imóvel em bom estado. Sendo assim, a partir do momento em que assinamos o contrato, estamos concordando e nos submetendo àquela determinação. Se obedecemos rigorosamente, ou seja, se mantemos a casa em ordem, quando o período contratual está vencendo e o locador vem fazer a vistoria, fica satisfeito e até prefere que continuemos nela morando. Porém, se não mantemos a sua conservação, e deixamos que se deteriore, ele fica irritado e pode, além de exigir a reparação dos danos, até nos expulsar, através de uma humilhante e constrangedora ação judicial de despejo, antes mesmo de vencer o contrato. Esse é um, dos inúmeros exemplos da lei humana de conservação.

Da mesma forma, quando Deus criou o corpo material foi para que servisse de morada ao espírito por um determinado tempo. O corpo físico, portanto, nada mais é do que a casa onde o espírito irá residir temporariamente, razão pela qual o Criador, por intermédio de suas leis, exige também que seja mantido em bom estado, por isso, quando os espíritos encarnam, a cada um é concedido o instinto de conservação para mantê-lo sadio e bem cuidado.  Se, durante o tempo que permanecer encarnado o espírito for fiel à lei, e cuidar bem do corpo, esse terá uma vida longa e saudável; por outro lado, se não o conservar em bom estado estará praticando o mal contra si mesmo, e, consequentemente, descumprindo a Lei Divina de conservação. Infelizmente, é isso que na maioria das vezes acontece; o corpo não recebe os cuidados que deveria, prevarica-se na sua conservação, é usado e abusado de maneira descontrolada, e isso acaba prejudicando os órgãos e afetando a sua saúde.

Existem diversas maneiras de se prejudicar o corpo, e uma delas é o seu uso abusivo por meio dos vícios.  O vício, de um modo geral, é o consumo exagerado e sem controle de alguma substância, cujo excesso vai fazendo com que os órgãos fiquem cada vez mais debilitados e indefesos, e assim vão surgindo as doenças que são consequências desse descontrole, por isso, quando falamos em vícios a primeira ideia que nos vem à mente é o alcoolismo, o tabagismo, a gulodice, e as drogas ilegais.

É claro que esses vícios são extremamente prejudiciais ao corpo, mas não é somente isso, além deles, existem outros que, daHomem e mulher sentados em bancos separados mesma forma, são também bastante perniciosos; estamos falando dos vícios morais, tais como o egoísmo, a inveja, o ódio, o orgulho, onde os pensamentos e os sentimentos são tão exagerados, que não podem ser controlados, e esse descontrole atrai energias negativas provocando uma auto intoxicação fluídica que, quando desce para o organismo, cria um campo  energético propício para instalação de moléstias que, da mesma forma, irá fragilizar os órgãos, e abrir as portas para aquelas doenças chamadas psicossomáticas.

Por isso, para que aja melhor compreensão, são divididos em duas espécies: morais e materiais, mas, como o assunto é muito extenso e nosso espaço é curto, vamos nos ater apenas a alguns dos vícios materiais, lembrando que eles têm uma sequência: começam como um hábito, depois se transformam em vício até atingir o grau de dependência, que poderá ser física, psíquica, ou as duas juntas.

O alcoolismo, por exemplo, normalmente começa no sábado quando o indivíduo vai comer uma feijoada e antes toma uma caipirinha, que já faz parte do cardápio. Na semana seguinte, na quarta-feira, dia em que a refeição principal é, também, aquele mesmo prato, para melhor saborear a comida ele toma outra dose daquela bebida, e assim o fato vai se repetindo, e toda vez que vai comer uma feijoada, antes tem que consumir aquele aperitivo, e isso se torna um hábito.

Depois de algum tempo, como já está habituado a beber, toda vez que vai almoçar ou jantar, mesmo que não seja feijoada, toma um aperitivo, dessa vez a pretexto de abrir o apetite, o que realmente acontece, e assim vai procedendo, até que aquele hábito se transforma em vício. Ocorre que, com o tempo, com o consumo constante de álcool, o viciado adquire uma cirrose hepática e o seu fígado começa a se desmanchar, passando a ocorrer o inverso, ao invés de abrir o apetite, vai se fechando até perder totalmente a vontade de comer, por isso, todo alimento que com muito custo ás vezes consegue ingerir, é repugnado pelo estômago e imediatamente devolvido.

Como o seu organismo já está debilitado pela falta de alimento, contrai uma doença conhecida como “delirius tremulis” onde o sistema nervoso é afetado e as mãos começam a tremer de maneira tão forte e descontrolada que mal consegue segurar um objeto qualquer sem deixa-lo cair, só parando a tremedeira quando sorve uma bebida alcoólica. Isso porque já está na fase de dependência física.

Como continua ingerindo bebida alcoólica e não se alimentando, se torna violento; fica agressivo, briga na rua, se irrita por qualquer motivo, chega em casa nervoso, agride a mulher, maltrata os filhos a pretexto de exigir respeito, e assim acaba destruindo a harmonia do próprio lar. Que respeito pode exigir agindo dessa maneira? Esse tipo de comportamento vem demonstrar que aquela dependência que era física, agora é também psíquica, pois passa a provocar-lhe alucinações, tornando-o alvo de gozação, chacota, apelidos depreciativos na rua onde mora, e até mesmo no trabalho. É desse modo que, na maioria das vezes, por causa de uma simples caipirinha, se o indivíduo não souber controlar os impulsos acabará se tornando um alcóolatra inveterado.

Nos casos das drogas, normalmente o hábito também começa no final de semana quando o adolescente vai à balada pela primeira vez. Ele fica no canto do salão, inibido, quer dançar mas tem vergonha, e é nessa hora que aparece aquele “amigo” querendo ajuda-lo. Vendo que ele está acanhado, o leva para fora dizendo conhecer uma maneira fácil de acabar com a timidez. Na rua, tira um cigarro do bolso, acende, dá uma tragada e lhe oferece alegando que aquilo é para relaxar e criar coragem. Sem desconfiar que se trata de uma armadilha, ele fuma e alguns minutos depois o cigarro começa a fazer efeito e a timidez desaparece. Isso acontece porque aquele cigarro, conhecido como “baseado”, é feito de uma erva, cientificamente chamada “canabis sativa”, popularmente conhecida como maconha, que possui um componente chamado canabidiol, que, presumidamente, liberta algumas pessoas da timidez. Como está desinibido, cria coragem, dança e se diverte a noite inteira.

Na semana seguinte, o fato se repete. Chegando à balada logo vai procurar aquele “amigo”, só que dessa vez ele já não lhe dá o “cigarro”, alegando que não tem, mas que conhece uma pessoa que vende. Acompanhado pelo “amigo” o jovem sai à procura do vendedor, compra o baseado e fuma, depois, vendo que a timidez acabou, começa a se divertir, e isso se torna um hábito. Mas, como o efeito da erva só dura de trinta sessenta minutos, nas noitadas seguintes ele precisa consumir vários daqueles cigarros, e assim aquele hábito se se transforma em vício.

Após algum tempo, como já está viciado na maconha, sentindo necessidade de consumir a erva, mesmo estando em casa, no trabalho, na escola, esteja onde estiver, ele sempre acha um jeitinho de se isolar das demais pessoas e fumar o seu baseado, assim procedendo até atingir a etapa de dependência física.

Ocorre que a maconha, além do canabidiol, que supostamente liberta da timidez, de acordo com pesquisas cientificas, possui, também, outro componente denominado tetraidrocanabinol, que provoca crises de paranoia e acelera o processo de esquizofrenia. Antigamente a esquizofrenia era considerada como doença de idoso, mas, hoje em dia vemos jovens de 15, 18 e 20 anos que, totalmente paranoicos, abandonam o lar e sai perambulando pelas ruas completamente esquizofrênicos, falando sozinhos e pronunciando palavras desconexas. Isso ocorre porque, em razão do alto consumo da droga, já atingiram a fase de dependência psíquica. E ainda tem gente que é a favor, e até faz campanha para a liberação da maconha. Em alguns países, onde o comércio da erva foi legalizado, inicialmente para fins medicinais, e depois, também para consumo recreativo, já se comprovou que houve um aumento considerável de moradores de rua depois da aprovação da lei.

Com o seu consumo descontrolado a maconha passa a não surtir mais efeito e, como o jovem já se tornou dependente, precisa de algo mais forte, por isso passa a cheirar cocaína. Porém, como essa nova droga contém um tipo de ácido que vai corroendo o septo nasal, com o uso constante, o usuário, além de ter milhares de neurônios destruídos, vai perdendo, gradativamente, o sentido olfativo até perdê-lo por completo, e, como não consegue mais alcançar o objetivo desejado, ao invés de inalar, passa a injetar a droga diluída nas veias, usando para isso, uma seringa e agulha de injeção. Como o efeito também é muito rápido, pois dura de 15 a 30 minutos, começa a usar o crack, que é uma pedra feita com a pasta base da cocaína que, depois de derretida em uma colher, é fumada através de uma espécie de cachimbo improvisado, conhecido como “marica”.

Nessa etapa, com a aliança das dependências física e psíquica, começa a ter crises de alucinações; a vida parece não ter mais nenhum sentido; perde o ânimo para estudar, a vontade de trabalhar, só pensa na droga, e quando é censurado, ou aconselhado por alguém, diz que não é viciado nem dependente, e que usa a droga apenas por prazer, mas, quando quiser parar ele para. Desempregado, e sem dinheiro para comprar a droga, começa a vender os objetos pessoais, vende o relógio, o tênis, o celular, e depois, quando não tem mais nada para vender, passa a furtar os objetos de casa, até ser descoberto pelos familiares; não conseguindo mais subtrair nada da residência, parte para o assalto, chegando a matar pessoas, às vezes até da própria família, para conseguir dinheiro. Temos visto nos noticiários da televisão e dos jornais, vários casos de jovens, muitos deles até de classe média alta, que mataram os pais, as mães, os avós, para conseguir dinheiro para comprar droga, e acabaram na prisão.

É importante salientar também, que em todos esses casos, o alcoólatra ou o drogado passa a atrair para si espíritos obsessores. Isso acontece porque aqueles que foram dependentes e já estão desencarnados, na espiritualidade continuam vivenciando tudo aquilo que viveram aqui na Terra, ou seja, permanecem vítimas de suas vontades, mas, como não têm mais o corpo físico para poder alimentar esses vícios, procuram entrar em sintonia com pessoas usuárias de álcool e de drogas, que estejam no mesmo padrão vibratório, e, como verdadeiros vampiros, passam a utilizar-se delas em processo obsessivo para sugar-lhes as energias. Por isso, além de um rigoroso tratamento médico, o dependente ainda encarnado precisa, também, de uma assistência espiritual para afastar de vez os obsessores e evitar que seja novamente por eles assediados.

No entanto, se a família não tiver condições de financiar o tratamento adequado, se ele não receber o socorro necessário, como normalmente ocorre, lamentavelmente seu destino será ou morrer assassinado pelos traficantes, dos quais se tornou devedor, ou continuar praticando crimes até ir parar no presídio, ou no manicômio, onde a morte por abstinência, ou até pelo suicídio, será inevitável. Esses são alguns exemplos de como, salvo algumas exceções, começam e terminam os vícios materiais.

Mas, nem tudo está perdido. Se a família tiver posses, e ele concordar, poderá ser internado em uma clínica de recuperação, fazer um rigoroso tratamento e, às vezes, com muito esforço, perseverança, muita fé, e com ajuda dos amigos espirituais, conseguirá controlar o vício. Entretanto, continuará sendo dependente, e além de permanecer nessa dependência, a família também se tornará dependente, porque terá que vigiá-lo vinte e quatro horas por dia para evitar que tenha uma recaída.

Para concluir, algumas recomendações me parecem de extrema utilidade aos pais que têm filhos crianças e adolescentes. Se nenhum deles é viciado, nem dependente, não devem atirar a primeira pedra, e sim, dar graças a Deus por essa benção recebida; mas não se descuidarem nunca, estarem sempre atentos, não demonstrando desconfiança, mas orando muito por eles, exercendo uma vigilância discreta, mas constante sobre uma possível e inexplicável mudança repentina de comportamento, os lugares que frequentam, os colegas com quem andam, e principalmente as pessoas com as quais mantém contato através das páginas de relacionamento na Internet, para evitar que, de um momento para outro, sejam surpreendidos. Por isso Jesus disse: Orai e vigiai.

Quanto àqueles que já têm esse tipo de problema na família, não devem jamais ignorá-lo ou tentar fugir dele fingindo que não existe. É sabido o quanto é difícil tentar livrar um dependente dos vícios, mas, como o problema já está instalado, tem que ser enfrentado, não com censuras humilhantes, trancando-o no quarto, no banheiro, no porão de casa como se fosse um bandido, ou amarrando com cordas, correntes e cadeados, tratando-o como algumas pessoas inescrupulosamente fazem com animais irracionais.

Ao invés de tomar essas medidas drásticas, o que devem fazer é procurar ajudá-lo, orando muito por ele, conversando pacientemente, explicando que ele não é um marginal, e sim um doente que precisa ser tratado e que esse tratamento existe, é só ele querer. Agindo assim, os familiares estarão ajudando aquele espírito querido a cumprir fielmente a Lei Divina de conservação, e evitando que continue usando indevidamente o seu livre arbítrio, fazendo o que quer com aquele corpo físico que lhe foi cedido a título de empréstimo, e, cuja decisão, fatalmente, fará com que seja dele despejado prematuramente, de maneira triste, cruel e dolorosa.

 

Fotos ilustrativas: freepik.com; freeimages.com

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