Por que não conseguimos nos lembrar dos primeiros anos de vida?

É comum, realmente não nos lembrarmos do que se passou nos primeiros anos de nossas vidas. Em matéria publicada no site da BBC  traz a seguinte pergunta: “Por que não conseguimos nos lembrar dos primeiros anos de vida?”.

Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos nos orienta sobre o esquecimento do passado:

“Por que o Espírito encarnado perde a lembrança do seu passado?
-O homem nem pode nem deve saber tudo; Deus assim o quer, na sua sabedoria. Sem o véu que lhe encobre certas coisas o homem ficaria ofuscado, como aquele que passa em transição da obscuridade para a luz. Pelo esquecimento do passado ele é mais ele mesmo”.

Vamos fazer uma relação de não conseguir lembrar dos primeiros anos de vida, com o que a Doutrina Espírita tem a nos dizer, sobre este esquecimento, digamos do passado.

Difícil mesmo se lembrar do tempo quando tínhamos apenas 1 ou dois anos. Sem contar que quando nos lembramos de algum episódio mais adiante, são apenas flashes. Nada com muitos detalhes. Todos nós temos momentos inesquecíveis guardados na memória. Por exemplo, a chegada de um irmão, a passagem de uma pessoa querida para a Pátria Espiritual, o presente esperado, o primeiro dia na escolinha.

Tem pessoas que afirmam que lembram do dia do nascimento, mas isto, seria impossível destacam alguns psicólogos.

A idade média de nossas primeiras recordações é 3 anos e 4 meses, mas, há quem possa se lembrar de eventos anteriores. Afinal, uma criança de 2 anos de idade pode reconhecer pessoas e lugares – e isso requer memória.

Mas, neste caso, estamos falando da memória episódica, relacionada a acontecimentos autobiográficos – momentos, locais, emoções e outros dados de contexto – que podem ser evocados explicitamente, enfatiza a matéria da BBC.

O bebê nasce, vai crescendo, se desenvolvendo, e aos poucos se distanciando de suas lembranças espirituais, que serão guardadas no espírito para serem despertadas na ocasião oportuna, na volta ao lar espiritual. A cada dia que passa, os bebês vão se desligando de suas lembranças espirituais e começam a prestar atenção no mundo físico. Começa o maior dos seus desafios: sobreviver a tudo isso. Nós somos o seu cajado, devemos aprender a caminhar pelas estradas certas, afinal, estamos guiando um importante filho de Deus: o seu bebê! (A Espiritualidade e os Bebês, pelo Espírito Irmã Maria)

Primeiro, aprendeu centenas de listas de palavras sem sentido. Depois, mediu quanto tempo levava para voltar a aprender as listas após períodos de tempo que iam de 20 minutos a um mês.

A neuropsicóloga Catherine Loveday, da Universidade de Westminster, no Reino Unido,  explica em entrevista ao site da BBC,  que o cérebro está se desenvolvendo rápido. O cérebro de um bebê de um ano tem mais conexões que em qualquer outro momento de sua vida.

“Uma das atividades necessárias para o funcionamento cerebral é a ‘poda’, ou seja, desfazer-se de algumas destas conexões, como se estivéssemos cortando uma árvore para que ela cresça mais saudável.”
Nesse processo, explica a especialista, possivelmente perdemos memórias. “Além disso, há cientistas que têm estudado a importância da linguagem, as palavras que nos ajudam a estabelecer memórias”, acrescenta.

Loveday afirma que o fenômeno tem um nome: amnésia infantil. “Nenhum de nós se lembra de algo anterior aos 2 ou 3 anos de idade. A maioria não se recorda de nada que ocorreu antes dos 4 ou 5”.

“Eles dizem que não nos lembramos de coisas que envolvam um conceito específico até entendê-lo. Ou seja, uma memória que envolva uma bicicleta pode se fixar quando somos bem novos. Mas crianças não incorporam conceitos como desagrado ou insatisfação antes dos 5 anos, então, não nos lembramos de algo ligado a esses conceitos que tenha ocorrido antes dessa idade.”

Na obra de Chico Xavier, ditado pelo Espírito de André Luiz, em Missionários da Luz, nos orienta o seguinte:

– Meus amigos, o nosso Herculano permanecerá em definitivo
junto de Segismundo, na nova experiência, até que ele atinja os sete anos, após o renascimento, ocasião em que o processo reencarnacionista estará consolidado. Depois desse período, a sua tarefa de amigo e orientador será amenizada, visto que seguirá o nosso irmão em sentido mais distante. Sei que o devotado companheiro tomará todas as providências indispensáveis à harmoniosa organização fetal, seja auxiliando o reencarnante, seja defendendo o templo maternal contra o assédio de forças menos dignas; entretanto, peço-lhes muita atenção nos primórdios de formação do timo, glândula, como sabem, de importância essencial para a vida infantil, desde o útero materno. Precisamos do equilíbrio perfeito desse departamento glandular, até que se forme a medula óssea e
se habilite à produção dos corpúsculos vermelhos para o sangue. Os diversos gráficos das disposições cromossômicas facilitarão os serviços dessa natureza.

No site a matéria revela que a nossa memória se apaga em um ritmo previsível. E destaca que a ideia é que não codificamos uma memória antes de ter um conceito linguístico para cada dado específico. Hoje se sabe que a região do cérebro conhecida como hipocampo é chave para codificar e armazenar a memória episódica, e o hipocampo não amadurece até uma fase posterior da infância.
Tudo isso afeta a capacidade do cérebro de reter essas primeiras recordações.

Mas há quem se lembra?

Mas como explicar as memórias anteriores a essa idade?
“Minha memória mais antiga é de acordar no berço. Posso ver as cortinas amarelas e ouvir alguém no quarto ao lado fazendo barulho com água. A casa em que estou é uma da qual nos mudamos quando tinha dois anos, então, devo ter essa idade”, contou Vickey Swindales, em um projeto realizado pela BBC há alguns anos, com 6,5 mil pessoas.

Martin Conway, da City University of London, no Reino Unido pede aos participantes Em “A Experiência da Memória”, que respondam a um questionário, em que era pedido que descrevessem sua primeira lembrança e respondessem a outras perguntas, como a idade em que o fato ocorreu.

“Em minha primeira memória, estou dentro do que imagino ser um carrinho de bebê, com uma capota puxada. Tenho quase certeza que o céu estava azul, ainda que não conhecesse essa palavra… era muito pequena”, recordou-se a escritora A.S. Byatt. Cerca de 40% dos participantes relataram lembranças de acontecimentos ocorridos quando tinham 24 meses, e 861 pessoas mencionaram memórias adquiridas antes de completarem 1 ano de vida. “Ficamos chocados”, diz Conway.
É possível nos lembrarmos de algo que ocorreu em nosso primeiro ano de vida?
O psicólogo diz que há até mesmo quem diga se lembrar de seu nascimento. Mas ele esclarece que isso não é possível. Mas, no geral, a probabilidade é muito alta de que não sejam verdadeiras”, afirmou o psicólogo em entrevista ao site da BBC.

Mas na obra de Helena Carvalho, em o Espiritismo: medo ou preconceito? ela destaca:

“Criaturas equilibradas, às vezes, lembram-se de vidas pretéritas e não escondem o seu embaraço quando precisam explicar aos outros o teor dessas lembranças. Isso porque essas pessoas ainda não tomaram consciência das grandes conquistas no campo científico, com referência à memória extracerebral, assim chamada pela Parapsicologia e ramos afins que agora estudam à saciedade esses fenômenos que denominam paranormais.
Assim, inúmeras têm sido as comprovações no terreno da Mec ou Memória extracerebral, quando os pesquisados fazem revelações sobre aquilo de que não podem haver tomado conhecimento nesta existência. Muitos, em tenra idade (geralmente na faixa etária de dois a quatro anos) afirmam que aquele nome não é o seu, que aquela cidade não é a sua e que aqueles pais não são os seus. Citam nomes e endereços, são levados ao domícilio indicado e sem que lhos apontem, dizem, com a maior sinceridade e convicção:

-Este é meu pai, esta é a minha mãe, deste irmão eu gosto, daquele, não”.

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