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“A felicidade pode exibir-se, passear, falar e comunicar-se na vida externa, mas reside na consciência tranquila.” André Luiz

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Quintal de terra

Enviado em 13 de dezembro de 2017 | Escrito por Antonio Carlos Tarquinio | Publicado por Rádio Boa Nova

Mulheres de costasFazia muito calor, e já tinha algum tempo que eu arquitetava efetuar uma limpeza geral no quintal. Quintal de terra sabe como é, quando menos se espera o mato cresceu e junto com ele todas as mudas plantadas.

Pensei então, espero o calor do sol amansar com a aproximação da tarde, e mãos à obra.

Dito e feito.

Interessante como nesses momentos descobrimos a grande porção de trabalho que nos cabe realizar.

A flor-de- papagaio estava enorme. A azaleia havia se espalhado por todos os cantos do terreno. A cerejeira japonesa, sabe aquela que dá flores que são uma lindeza? Ela também andou expandindo seu território pelo jardim.

Fui surpreendido também com algumas novidades. O pé de maçã – você sabe o quão difícil é ele ir para frente com este tempo de São Paulo – parece que logo, logo vai frutificar.

A figueira “tá linda de morrer” apresentando vários botões nas pontas de seus galhos, nem sei se é bem esse o nome que se dá a isso.

A alamanda de cor rubra, até que enfim, voltou a florir, e a amarela recuperou-se depois do acidente que envolveu um tronco morto de cedrinho que despencou para o chão, levando-a junto com ele.

Enquanto eu podava aqui e ali, um canário da terra passou por mim com voo apressado para diante alojar-se entre as folhas de árvore situada à frente de nossa vivenda.

O repentino acontecimento foi como um chamado para mim – assim como se abrisse uma porta para que eu contemplasse o mundo com outros olhos -, posto que registrei a partir do instante sons de outros pássaros vizinhos que mais pareciam melodias a encantar o final da tarde.

Por um breve momento vislumbrei todos os seres ao meu redor como estivessem mergulhados numa paz infinita. E tive a sensação de que tudo é assim como é por ser assim mesmo – por pura gratuidade.

O mundo continuava lá.

Meu quintal também.

No entanto, era inegável o fato de que pelo menos por um pequeno lapso de tempo meu sentimento do mundo havia se alterado significativamente.

Lembrei-me de imediato do convite de Paulo o apóstolo da gentilidade: “transformai-vos pela renovação de vosso modo de sentir…” Romanos, 12:2.

Antonio Carlos Tarquínio

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