Relato baseado em fatos: a casa mal-assombrada (parte 1)

Existem pessoas com um espírito tão inferior que suas histórias sempre acabam numa maneira trágica, deixando rastros de medo por onde passaram quando encarnados.

Esse era o caso de um senhor de engenho que morava numa destas casas-grandes, no período da escravatura no Brasil (1530-1888), localizada no município de Paraty, no Rio de Janeiro.

Seu nome não é conhecido, mas a história que iremos contar é dita por populares da região rural desta cidade aos interessados em adquirir a propriedade que este homem morou. Ele era famoso por seu temperamento terrível e, além disso, pelas torturas praticadas com os seus escravos.

Mas vamos ao caráter esse senhor. Como a residência era da família do proprietário, numa grande propriedade rural, o homem tinha como hábito mostrar seu poder por meio de seus peculiares métodos de tortura com os escravizados.

As escravas que tinham filhos eram o alvo preferido para esse homem praticar suas iniquidades. Sua maldade não tinha limites. Um dos métodos preferidos para punir as mulheres era esse: amarrá-las numa cadeira, de preferência de material forte, como o aço.

Então, calmamente, ele as chamava pelo nome. Feito isso, elas já sabiam que teriam apenas alguns minutos para se soltar e atendê-lo ou seriam presas no tronco. Para isso não acontecer, tinha mulheres que até quebravam seus braços para correr aos chamados do homem.

O tronco foi um instrumento conhecido como um dos mais famosos e cruéis castigos usados nos escravos que desobedeciam aos seus senhores. Se eram “rebeldes” seriam presos por algemas e correntes num tronco reto de pouco mais de dois metros de altura. Além disso, ficavam sem roupa alguma, para aumentar a humilhação perante o púbico.

Pessoas das redondezas eram chamadas para assistir o “espetáculo” do castigo com um chicote. Essa tortura sempre acabava deixando as pernas e braços dos escravizados totalmente dilacerados.

DESENCARNE DO SENHOR DE ENGENHO

Durante muitas décadas, as torturas eram realizadas nesta remota casa de Paraty. No entanto, um dia, o homem desencarnou. Ele foi enterrado na própria fazenda.

Isso era um costume desta época, pois proprietários das casas-grandes tinham o hábito tétrico de enterrar os mortos patriarcais atrás das casas, em cemitérios residenciais.

Segundo o escritor Gilberto Freyre, no ensaio “Casa-Grande & Senzala”, abaixo dos santos e acima dos vivos ficavam, os mortos, governando e vigiando o mais possível a vida dos filhos, netos e bisnetos. Segundo ele, estes eram um dos fortes motivos das casas-grandes acabarem sempre mal-assombradas.

COISAS ESTRANHAS ACONTECEM 

Admiravelmente, esse homem era casado. Após meses do desencarne do senhor de engenho, a dona da casa manteve seus afazeres domésticos diários. Um deles era ligar o fogão a lenha (com mais de um metro), de manhã, para fazer a comida. Num certo dia, a mulher mandou o escravo ascender o aparato e, para a surpresa de todos, ocorreu uma coisa assombrosa: o corpo de seu marido apareceu dentro do fogão.

Assustada, chamou um padre, que recomendou enterrá-lo de novo. E assim foi feito. Porém, no dia seguinte, o homem voltava ao mesmo local. A cada amanhecer, novamente aparecia o senhor no fogão, em pé, imóvel e sem nenhum arranhão ou sinal de terra sobre seu corpo. Depois de muita reza aos espíritos superiores, o padre decidiu:

“Vamos enterrá-lo na mata”, disse o padre a mulher. No mesmo dia, o pároco e três escravos levaram o corpo para um local isolado, bem longe da casa. O padre ressaltou aos escravos:

“Aqui ninguém chega. Este é o lugar próprio para deixamos ele”, sentenciou o religioso.

Juntos, eles cortaram um pedaço de madeira do tamanho do homem e o amarraram com cordas e panos. Depois de algumas ave-marias, eles foram embora. Desde então, o terrível senhor de engenho nunca mais voltou à fazenda.

Conta-se que quem chegar perto do local é atingido com milhares de insetos que ficaram no denominado “corpo seco”. Os populares alertam os visitantes: “nem a terra quis consumir o corpo dele”.

 

 

CASA MAL-ASSOMBRADA

Mesmo sem o homem no local, diversas pessoas que compraram a casa em Paraty relatam que viram muitos fenômenos espirituais.

Na próxima semana, vamos contar o caso de uma mulher, na época com 22 anos, que morou no local por um mês, por volta do ano de 1940. Ela relatou que o casarão era palco de diversas manifestações de espíritos inferiores.

Segundo a doutrina espírita, os espíritos da terceira ordem – impuros, levianos, batedores e perturbadores – são responsáveis por essas assombrações.

Eles predominam a matéria sobre o espírito. Também possuem uma propensão ao mal. São ignorantes, orgulhosos, egoístas, e todas as más paixões que lhes seguem. Eles têm a intuição de Deus, mas não o compreendem.

Clique aqui para ler a segunda parte desta história. 

 

Leticia Lopes, 26, é jornalista guarulhense formada pela Faculdade Anhanguera e colaboradora da Rádio Boa Nova e TV Mundo Maior. Já assinou matérias em jornais locais e atuou como assessora de comunicação. É apaixonada pelo mundo espiritual e por recursos que estimulam o autoconhecimento.

Para saber mais sobre o assunto, assista:

Parte 1

 

Parte 2

 

Parte 3

 

 

 

 

deixe um comentário

WhatsApp chat