Superpopulação x Espiritismo

superpopulaçãoVocê já ouviu falar em superpopulação? Todos os anos nascem novos seres e com isso, muitos espíritos têm oportunidade de, mais um vez, encarnar no planeta Terra, viver novas provas, expiações e assim, evoluir moralmente e intelectualmente. Esse é o ciclo da reencarnação descrita em detalhes nas obras de Allan Kardec. No entanto, será que haverá um limite para “novas” encarnações no planeta? A superpopulação do planeta é uma mentira ou realmente, estamos cada vez mais sem espaço para o número de pessoas no mundo? Se isso for verdade, teremos que instaurar, de alguma forma, um programa de controle de natalidade?

A superpopulação humana tem sido tratada como um mito por muitos negacionistas da ciência devido a propagação da ideia falsa de que nós, seres humanos, ocupamos apenas 3% do planeta.

Antes de desmentir essa tal ideia errônea, precisamos entender o que é a superpopulação. 

A superpopulação humana é quando o número de pessoas excede a capacidade de carga de um território ou meio. Ela pode ainda ser vista numa perspectiva ampla e de longo prazo, dado ao rápido esgotamento dos recursos não renováveis e a degradação da capacidade do ambiente de dar suporte ao crescimento demográfico.

Malthusianismo

Quem deixou a ameaça da superpopulação mais evidente foi o reverendo Thomas Malthus, o primeiro economista inglês. Em 1798 ele publicou o seu estudo sobre a população humana com uma ideia bem simples e bem poderosa: 

Se a humanidade não controlar seu crescimento, vamos passar da capacidade de nos mantermos.

A afirmação de Malthus veio da projeção que ele fez na época na qual dizia que, mesmo se a Inglaterra dobrasse a produção de alimentos em 25 anos, seria muito improvável que 25 anos depois, eles conseguissem dobrar de novo a produção.

Mesmo que eles conseguissem, o máximo que um país como a Inglaterra conseguiria fazer é, aumentar sua produção de alimentos em uma vez a cada 25 anos.

Enquanto isso, a população da Inglaterra e outros países como Estados Unidos dobrava em 25 anos. 25 anos depois, seria quatro vezes maior, depois oito vezes e assim por diante. Segundo Malthus, crescendo desse jeito, uma hora, a curva do crescimento da população venceria a produção de alimento fazendo com que as futuras gerações passem fome. 

Superpopulação e Espiritismo

Isso quer dizer que se nada for feito para diminuir a natalidade, vamos crescer mais do que o mundo suporta e, consequentemente, como os recursos são limitados, esse controle se dará por meio de mortes, doenças, fomes e outras agruras geradas por essa superpopulação.

No entanto, consultando O Livro dos Espíritos, encontramos as seguintes questões:

686. É lei da Natureza a reprodução dos seres vivos? 

Evidentemente. Sem a reprodução, o mundo corporal pereceria.

E de logo adiante:

687. Indo sempre a população na progressão crescente que vemos, chegará tempo em que seja excessiva na Terra? 

Não, Deus a isso provê e mantém sempre o equilíbrio. Ele coisa alguma inútil faz. O homem, que apenas vê um canto do quadro da Natureza, não pode julgar da harmonia do conjunto.

É sempre recorrente ouvir que o que diferencia o Espiritismo de outras doutrinas e religiões é justamente a sua fé raciocinada, afinal, uma das bases da Doutrina Espírita é a ciência, juntamente com a filosofia e a moral. Mas e quando aparentemente a doutrina dos Espíritos vai contra as evidências científicas? 

Bom, aparentemente não é bem assim! 

Tecnologia para o bem

É evidente que nos últimos anos e décadas houve um aumento da população humana sem precedentes na história. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas, (ONU), há 2.000 anos, a população mundial era de 300 milhões de pessoas. Em 1800 alcançou um bilhão. A marca de dois bilhões foi atingida em 1927. 

Os três bilhões em 1959 e quatro bilhões em 1974.

A população do planeta chegou a cinco bilhões em 1987, seis bilhões em 1999 e sete bilhões em 2011.

Hoje a ONU calcula cerca de 7,79 bilhões de pessoas em 2020, no entanto, nesse meio tempo em que crescemos de maneira exponencial, também acumulamos cultura e tecnologia. 

Graças a essa cultura, realmente mudamos a forma como produzimos comidas e suprimentos para os seres humanos, como por exemplo, a criação de novas plantas domesticadas, variedades mais produtivas, novas técnicas de plantio e a mecanização do campo nos ajudaram a mais do que dobrar a produtividade desde 1800.

Uma prova disso é que entre 1961 e 2009 aumentamos em apenas 12% a área destinada à plantação no mundo mas aumentamos em 300% a produtividade nessas terras.

Na verdade, saímos de uma população de 1 bilhão de pessoas, muitas das quais passavam fome, para mais de 7 bilhões com proporcionalmente menos pessoas sem ter o que comer.

Se considerarmos que o espiritismo surgiu em uma época em que tínhamos pouco mais de 2 bilhões de pessoas no mundo, pode-se dizer que Kardec estava muito a frente de seu tempo para questionar o Espírito da Verdade sobre a quantidade de pessoas no planeta. Diferentemente de Malthus que elaborou uma ideia que influenciou milhares de pessoas a deixarem de fazer doações e cessar com iniciativas de apoio aos mais pobres, afinal, caridade e suportes poderiam só “adiar o inevitável”, os conhecimentos vindo do Espírito da Verdade já demonstrava que a esperança nunca poderia ser esquecida.

Mito dos 3%

Thomas Malthus não tinha como saber sobre essas novas tecnologias e como isso mudaria a forma com que produzimos alimentos, no entanto, ele não estava completamente errado. Isso porque a superpopulação não fala apenas sobre a falta de recurso para a humanidade, mas também sobre a falta de espaço.

Aqueles que consideram que os seres humanos ocupam, geograficamente falando, apenas 3% de todo o território do planeta ignoram aspectos óbvios, como por exemplo os espaços utilizados para plantar e desenvolver os nossos alimentos, que são aproximadamente 40% do território do planeta, os milhares e milhares de quilômetros que são compostos por desertos, o que dá aproximadamente 33% da superfície seca do planeta.

Parece muito mas ainda não acabou. Até aqui sobrou apenas 24% de terra firme que, em teoria, poderíamos habitar, no entanto, 17% desse território fazem parte do do Alasca, norte do Canadá e da Sibéria, na Rússia. Ou seja, uma área que, pelas próprias condições do clima, são muito difíceis de serem ocupadas por seres humanos em grande escala.

Já os últimos 7% de terra que sobram desse número é ocupado por florestas tropicais. O que nos faz pensar que expandir ainda mais o território para produzir mais alimentos ou mesmo para moradias destinadas a mais pessoas, teremos que destruir mais e mais o meio ambiente.

Mais com menos

Sem dúvida, muita coisa mudou desde que chegamos a marca de 1 bilhão de pessoas até os dias de hoje em que estamos quase em 8 bilhões. Podemos dizer que um fator essencial para a vida humana ter crescido tanto foi a aplicação de tecnologia, ciência e inovação em favor da vida.

Ao observar a nossa capacidade de produção, é evidente que, se ainda no século XXI existem pessoas que convivem diariamente com a fome, não é por falta de alimento e sim por uma má distribuição. O que nos leva a analisar outra questão do O Livro dos Espíritos:

705. Por que nem sempre a terra produz bastante para fornecer ao homem o necessário?

A terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se. Se o que ela produz não lhe basta a todas as necessidades, é que ele emprega no supérfluo o que poderia ser aplicado no necessário.

Muitas das mudanças que queremos para o mundo está a um passo de conseguirmos, basta que nos concentremos naquilo que realmente importa. 

Hoje a superpopulação é uma realidade constatada pela ciência. A filosofia do Espiritismo nos ensina a fazer mais com menos e sempre estender a mão ao próximo. Assim podemos ir na contramão do que se observa nas próximas décadas da humanidade.

Se quisermos mudar essa realidade de desigualdade precisamos adquirir uma consciência espiritualista e abandonar os nossos velhos hábitos gananciosos e aprender a compartilhar. Muito em breve teremos que aprender a fazer isso com o nosso espaço. Talvez assim possamos aprender a fazer o mesmo com os recursos para todos no planeta!

 

Escrito por: Igor Oliveira

Assistente de Jornalismo, apresentador do Mundo Maior Repórter e estudante de jornalismo.

 

 

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