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Uma análise breve de Deus

Enviado em 6 de maio de 2015 | No programa: Espiritismo e Segurança Pública | Escrito por Bismael Moraes | Publicado por Juliana Chagas

Introdução

Deus é o grande tema da humanidade, em todos os tempos, envolvendo sábios e ignorantes, letrados e analfabetos. Em regra,Mãos apontadas para o céu os religiosos dogmáticos, sem qualquer questionamento, aceitam Deus como “pai de todos”, reverenciando-o como se estivessem diante da figura paterna terrena, com sua sabedoria e autoridade sobre a família.

As exceções a essa visão vêm dos chamados ateus, dos cientistas materialistas e dos estudiosos sérios, estes, por óbvias razões de análise e ponderação, com indagações profundas e procedentes, como fazem, por exemplo, os adeptos do Espiritismo, com base nas obras do pedagogo Allan Kardec e de seus seguidores Léon Denis, Gabriel Delanne e tantos outros.

Alguns pensadores

Dicionaristas definem Deus como “causa necessária e final de tudo quanto existe, ou pessoa admirada e venerada, ao qual se sacrifica tudo”.

Mas isso não diz muito. Filósofos e pesquisadores têm procurado analisar esse Deus Supremo, tentando conceituá-Lo ou defini-Lo de várias maneiras. Em seu tempo, o historiador e escritor escocês Thomas Carlyle entendeu que “o Universo não é senão um vasto símbolo de Deus”.

Por seu turno, o escritor e poeta francês Victor Hugo disse que “Deus é o invisível evidente”. No livro “Deus” (Epasa, Rio, 1948), de autoria do filósofo Huberto Rohden, este, na página 24, chama-O de “meu grande anônimo de mil nomes” e, na página 31, dirige-se a Deus, assim: ”Tu és a causa da qual procedem todos os efeitos”.

Deus: substantivo concreto ou abstrato?

Ensinam os versados em gramática que os substantivos concretos são “aqueles que representam seres que existem realmente, independentemente de nossa vida mental: mesa, máquina, pedra, água, sombra, ar, homem, mulher, animal, luz” etc. Substantivos abstratos, por seu turno, “são os que representam seres que só têm existência em nosso pensamento, em nossa vida mental: amor, ódio, covardia, honestidade, moral, bondade, verdade, mentira, justiça” etc.

E sendo Deus, para o espírita cristão, a “inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”, conforme nos mostra a questão nº 1 de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, básica obra do Espiritismo como filosofia, logo, a Sua existência como causa originadora de tudo que o ser humano é incapaz de criar, ousamos afirmar que Deus é um substantivo concreto, porque não tem necessidade de prova, na fé raciocinada e inabalável dos espíritos bons, e não pode ser visto como um substantivo abstrato.

Deus tem forma?

Para o Espiritismo cristão, Deus não tem forma humana, nem sexo, e não deve ser buscado no antropomorfismo, mas como energia perpétua, criadora e transcendente. Quando falamos em Deus-pai, nós o fazemos em decorrência das nossas raízes culturais e costumeiras, impelidos pela lei natural de sociedade, de convivência com os opostos, em constante busca da paz, do equilíbrio e da fraternidade entre os semelhantes, que necessitam uns dos outros, para a existência e o progresso.

Allan Kardec, codificador da Doutrina Espírita, ao tratar das indagações quanto à forma de Deus, diz que “a linguagem humana revela-se impotente para descrever Sua forma e Sua figura. Para nós, em nossa condição terrena, não existe nenhum ponto de referência ou comparação que nos possa dar uma ideia Dele”. No livro “Obras Póstumas”, Kardec, no item nº 1, referindo-se a Deus como “causa primária”, diz: “É essa causa que se chama Deus, Jeová, Alá, Brama, Grande Espírito, etc”.

No suplemento “Cultura”, do jornal “O Estado de São Paulo”, edição de 13/06/1992, dois estudiosos – Leonardo Boff e Luiz Pinguelli Rosa -, analisando livro do filósofo cristão Jean Guitton, sobre “Deus e a Ciência”, em certo momento, dizem: “A essa Inteligência suprema e a essa Paixão infinita as tradições culturais da humanidade chamam Deus, Atma, Olorum, Mistério. É um nome para o Sem Nome”. O Frei Leonardo Boff, teólogo e professor de filosofia, pergunta: “Que é Aquela realidade que se apresenta como ordenador de tudo e o denominador comum de todos os fenômenos? Não ouso nomeá-Lo, pois qualquer nome é imperfeito para designar o Ser sem semelhança”. Por seu turno, o professor, engenheiro e filósofo Luiz Pinguelli Rosa, afirma que “também se pode ver Deus atrás de uma transcendência que escapa à intuição.”

Algumas “visões” de Deus

No livro “Deus” (Ediçãop Calvário, São Paulo, 1965), de Bruno Bartocco, esse pesquisador nos coloca diante Deus em três momentos: ontem, era fantasticamente, de forma antropomorfa, compreendido; hoje, para muitos, é real inconcebível; amanhã, pela evolução humana, será perceptível espiritualmente, e de forma íntima, cada vez mais sentido.

Nas discussões sobre Deus, para o descrente, Ele não existe, porque não se apresenta aos seus olhos; para o ignorante, Ele é injusto, porque escolhe e faz ricos e pobres, feios e bonitos; para o acomodado, Ele deveria ficar à sua disposição, como empregado, atendendo-lhe os pedidos; para os filósofos, como Platão, Ele é o “artífice do mundo, potência criadora ilimitada”; para Kant, Ele é a “razão universal, fundamento da vida moral”; para São Thomaz de Aquino, Ele é a “causa primária e final do Universo”; para Blaise Pascal, Ele “é puro espírito, e só O conhecemos pela experiência espiritual”.

Visões históricas de Deus

O politeismo, como primeira visão de Deus, é aquela que se baseia na crença da pluralidade de deuses, de acordo com a ideia dos seres humanos ainda em atraso mental, crença formada por lendas e costumes – deus do sol, deus do mar, deus dos ventos, deus da chuva, deus do fogo, etc -, em regra, demonstrados por forças naturais superiores às dos indivíduos;

O panteismo, em que Deus se confundiria com o Universo e seria representado por tudo que existe ante a visão do ser humano; tudo no Universo é Deus – a terra, o céu, o mar, o vento, a chuva, as árvores, os frutos, as flores, etc. Esta ainda é, em princípio, uma visão oriental de Deus;

O dualismo, visão pela qual o Criador seria separado do Universo, como um Ser distinto, havendo, nesse caso, a Criação (o Universo) e o Criador (Deus). Aliás, pelo que comumente se sabe, se ouve e se vê, essa é a ótica de muitos habitantes do Ocidente; e

O monismo, que é a teoria pela qual o Universo estaria em Deus e fora de Deus; embora distinto do Universo, Deus transcende a tudo e é imanente a tudo; está em tudo e além de tudo. Esta é, em síntese, a visão espírita de Deus.

Há, ainda, uma visão de Deus, explicada pelo escritor Rino Curte, em seu livro “Espiritismo e Reforma Íntima”, em que se tem: 1º, o princípio inteligente – o Espírito; 2º, o princípio material – a matéria; e esses princípios, governados por lei naturais, sujeitos às leis de causa e efeito, subordinam-se a um 3º – princípio das causas, que é Deus.

Como chegar a Deus?

Todo ser humano consciente, que pratica o bem e segue as regras morais de convivência pacífica com o semelhante, pode chegar até Deus por três caminhos:

  1. Pela fé, que é a certeza do coração, de que falava  Khalil Gibran, para os mais espiritualizados;
  2. Pela razão, desde que, dotados que somos de pensamento contínuo, usemos corretamente a dedução e a lógica;
  3. Pela ciência, realizando a experimentação e análise dos fenômenos, de modo racional, pois não há efeito sem causa.

E como o Espiritismo é a doutrina da fé raciocinada (e não apenas decorada e repetida), deve-se observar que a igreja ou o templo não são, de fato,  “casas de Deus”, exceto figurativa e culturalmente, mas, sim, o Universo é a verdadeira Casa de Deus, pois o planeta Terra, onde habitamos, é apenas qual um grão de areia na vastidão universal.

E há prova de que Deus existe, porque, de acordo com a lógica e a ciência, não existe efeito sem causa. Quando o ser humano, com toda sua inteligência, não é capaz de produzir e, muito menos, explicar determinados efeitos cujas causas se acham acima do gênero humano, aí está DEUS, energia criadora.

Foto ilustrativa: stock.xchng

 

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